Mensagens com Tags ‘Nazismo’

22/04/2011

COMANDOS VERDES NAS RUAS DE BERLIM?

COMANDOS VERDES NAS RUAS DE BERLIM? Análise da tradição eco-fascista na história da Alemanha

Steve Chase

(Tradução encontrada em Mutação, Rizoma.net, e corrigida por mim, incluindo erros do original que se pode ler aqui.)

Estava meio distraído diante da televisão na noite de 23 de Outubro de 1984. Nos 30 minutos de emissão comprados em horário nobre para o seu spot eleitoral o extremista de direita Lyndon LaRouche “alertava” os americanos para a perigosa ascensão dos verdes na Europa e nos Estados Unidos. Denunciava o Partido Verde da Alemanha Ocidental como o centro de um poderoso movimento internacional “neonazi” que visaria reduzir os Estados Unidos à completa submissão. Repetia constantemente frases como “comandos verdes violentos patrulham as ruas de Berlim” enquanto imagens de antigas reportagens de manifestações nazis ocupavam a tela. Terminou acusando o vice-presidente Walter Mondale de ser o cérebro da conferência que tivera lugarem Saint Paul, Minnesota, no agosto anterior, a qual se teria destinado a lançar um movimento verde “anti-americano” nos Estados Unidos.

28/03/2011

Criar um, dois, três, muitos boicotes!

31/12/2010

Considerações inoportunas e politicamente incorrectas

Considerações inoportunas e politicamente incorrectas
acerca de uma questão dos nosssos dias

por
João Bernardo

Há poucos anos atrás, quando preparava um livro sobre o fascismo que entretanto já foi publicado[1], apercebi-me de uma convergência de pontos de vista entre certo tipo de feminismo hoje em voga e a modalidade racista do fascismo, o nacional-socialismo hitleriano. Esta descoberta, devo confessá-lo, deixou-me perplexo.

À primeira vista, esperar-se-ia uma oposição completa entre o fascismo e o feminismo, já que todos os tipos de fascismo, embora atribuíssem à mulher um papel importante na inculcação dos princípios de ordem ou na preservação da raça, a relegaram para um lugar socialmente secundário. A mulher-mãe era a mulher doméstica, e a casa, sob a autoridade do marido, era o lugar da função procriadora. No entanto, num dos seus traços decisivos – a atribuição de uma raiz biológica às manifestações culturais e a noção de que dadas manifestações culturais indicam uma dada condição biológica – o feminismo que hoje domina os meios académicos e prevalece nos órgãos de informação, propenso às abordagens «de género», para empregar a terminologia corrente, actualizou um modelo de pensamento que caracterizara o racismo germânico, nomeadamente na versão hitleriana.

As perspectivas «de género» esforçam-se por acentuar a divisão entre a esfera masculina e a feminina, e assim colocam-se no extremo oposto ao do velho feminismo, que procurara emancipar as mulheres anulando as diferenças de comportamento entre os sexos. Ainda não há muito tempo a generalidade do feminismo possuía um cariz progressivo e ocasionalmente revolucionário, na medida em que reivindicava o pleno acesso das mulheres aos espaços económicos e sociais onde predominavam os homens, ou de que eles tinham até o exclusivo. Foi na Alemanha, durante o período chamado da República de Weimar, entre o final da primeira guerra mundial e a nomeação de Hitler para a chancelaria, que a emancipação feminina atingiu uma das suas expressões mais desenvolvidas. A revolução alemã de 1918 tentara derrubar o capitalismo e remodelar a vida social sobre a base dos conselhos de operários e de soldados, e embora tivesse sido derrotada nas suas aspirações económicas não fora vencida completamente e concentrara-se no plano da sociedade, da cultura e dos costumes, dando origem não só a uma notável vanguarda artística mas ainda a uma libertação de preconceitos culturais e sexuais sem antecedentes. Foi necessária a chegada dos nacionais-socialistas ao poder em Janeiro de 1933 para liquidar este movimento. O período da República de Weimar, que deu oportunidade a uma das experiências mais avançadas de feminismo, deve ser tomado como termo de comparação para avaliar as implicações do actual feminismo académico.

O arquitecto comunista Hannes Meyer, director da Bauhaus desde 1928 até 1930, resumiu em meia dúzia de palavras o feminismo emancipador ao escrever que «a masculinização exterior da mulher manifesta a igualdade interna dos sexos»[2]. O que singularizou aquele tipo de feminismo foi o desejo de superar as diferenças convencionais entre os sexos e de fundi-los ambos na formação de um género verdadeiramente humano. Acerca deste feminismo podia dizer-se, como fez um personagem criado por um crítico alemão, também durante a República de Weimar, que «o sexo [...] passou a ser uma característica humana secundária»[3]. Ainda na Alemanha de Weimar, Gina Kaus, literata de origem austríaca e feminista reputada, decidiu averiguar, sem jamais se desfazer do tom irónico, em que medida a linha de demarcação entre os sexos se fazia sentir nos romances. Se se atribuísse às mulheres, como era – e continua a ser – comum, «a subjectividade, a sensibilidade e a primazia da emoção sobre o raciocínio», e aos homens «a objectividade, a autoridade formal, a amplidão do escopo intelectual, etc.», então tanto umas como os outros se encontravam em ambas as correntes literárias, a sentimental e a racional. «[...] talvez a fronteira tivesse existido outrora», observou Gina Kaus, «mas não existe hoje». Segundo ela, apenas na literatura de genre se mantinha então o privilégio da masculinidade, naquelas obras em que os personagens obedecem, como nas regras de um jogo, às convenções estritas do género – a ficção científica e o romance policial. Barreira de sexo? Não, apenas uma demarcação transitória. «Só desde há pouco tempo foi permitida às mulheres a abordagem dos problemas da realidade. Até uma data recente, ou elas próprias faziam parte da realidade ou eram uma ficção concebida pelos homens. Tal como crianças que tenham subitamente de aprender muito de uma só vez, elas não ousam dedicar-se ao jogo. Talvez daqui a vinte anos a situação seja muito diferente, e quem sabe se na próxima geração daremos graças pelo aparecimento do que tanto necessitamos – um Edgar Wallace feminino»[4]. E, com efeito, Agatha Christie…  

12/04/2009

Quando as insurreições morrem vii

hindenburg

por Gilles Dauvé

Berlim, 1919-1933 (continuação)
O KPD, por seu lado, não tinha hesitado em estender a mão aos nacionalistas contra a ocupação francesa do Ruhr em 1923. Para Radek, “só a classe operária pode salvar a nação”. Talheimer, dirigente do KPD, não escondia que o partido devia combater ao lado duma burguesia alemã que tinha então “um papel objectivamente revolucionário pela sua política estrangeira”. Zinoviev não diz outra coisa na sessão do Executivo Alargado do Komintern, em Junho de 1923:

“A questão nacional é também a questão vital da política alemã. O nosso partido pode legitimamente dizer que, se bem que não reconheçamos a pátria burguesa, somos nós que defendemos, na Alemanha, o futuro do país e da nação. Os nossos camaradas reconheceram-no sem ousarem levar a cabo uma campanha prática.”

E Radek, na mesma reunião: “Colocar a questão nacional, quer dizer, fazer compreender ao proletariado que ele deve ser o Partido da Nação, é na Inglaterra apenas uma fórmula de propaganda para o objectivo final, mas o mesmo não se passa na Alemanha. È significativo que um jornal nacional-socialista se erga violentamente contra as suspeitas sobre os comunistas: assinala-os como um partido combativo que se torna cada vez mais nacional-bolchevista. O nacional-bolchevismo significava em 1920 uma tentativa a favor de certos generais; hoje em dia traduz o sentimento unânime que a salvação está nas mãos do PC. Apenas nós somos capazes de encontrar uma solução para a situação actual da Alemanha. Colocar a nação em primeiro plano, é na Alemanha, tal como nas colónias, agir de maneira revolucionária.” (citações retiradas das actas publicadas no Boletim Comunista, 28 de Junho de 1923)

Uma dezena de anos estalinistas mais tarde, o KPD apelava a uma “revolução nacional e social”, denunciava o nazismo como “traidor à nação”, e usava tanto o slogan da “Revolução Nacional” que inspira Trotsky a escrever em 31 um folheto Contra o nacional-comunismo. Infelizmente para os militantes do KPD, os nazis em matéria de demagogia nacional eram imbatíveis.

Em Janeiro de 1933, os dados estão lançados. Ninguém pode negar que a República de Weimar se entregou voluntariamente a Hitler. Tanto a direita como o centro acabaram por vê-lo como uma solução viável para tirar o país do impasse, ou como um mal menor temporário. O “grande capital”, reticente perante qualquer agitação incontrolável, não se tinha mostrado, até ao momento, mais generoso com o NSDAP do que com as outras formações de direita ou nacionalistas. Só em Novembro de 1932, Schacht, um homem de confiança da burguesia, convence os meios dos negócios a apoiar Hitler (que acaba, no entanto, de sofrer um ligeiro recuo eleitoral) porque vê nele uma força capaz de unificar o Estado e a sociedade. Que a alta burguesia não tenha nem previsto nem tenha sempre apreciado a evolução posterior, a guerra e menos ainda a derrota, é outra questão, e de qualquer modo a sua presença não foi apreciável na resistência clandestina ao regime.

É completamente dentro da legalidade que Hitler é nomeado chanceler, a 30 de Janeiro de 1933 por Hindenburg, ele próprio eleito constitucionalmente presidente um ano antes, com o apoio dos socialistas, que viram nele… uma barreira contra Hitler, sendo os nazis uma minoria no primeiro governo formado pelo líder do NSDAP.

Nas semanas seguintes, as máscaras caem: os militantes operários são perseguidos, os seus locais são saqueados, o terror instala-se e as eleições de Março de 1933, sob a violência conjugada das SA e da polícia, colocam no Reichstag 288 deputados do NSDAP (mas ainda 80 do KPD e 120 do SPD).

Os ingénuos espantam-se que o aparelho repressivo se tenha posto docilmente ao serviço dos ditadores: como sempre em casos semelhantes, do polícia de giro ao director de ministério, a máquina estatal obedece à autoridade que a dirige. Os novos dirigentes não tinham plena legitimidade? Juristas eminentes não escreviam cada decreto em conformidade com as leis superiores do país? Num “Estado democrático” – e Weimar era um – se há conflito entre os dois componentes do binómio, não é a democracia a sair vencedora. Num “Estado de Direito” – e Weimar também era um – se há uma contradição, é o direito que se deve vergar para servir o Estado, e nunca o oposto.

Durante estes poucos meses, que faziam os democratas? Os de direita resignaram-se. O Zentrum, o partido católico do Centro, antigo eixo das maiorias de Weimar em parceria com o SPD, e que até melhorou os seus resultados nas eleições de Março de 1933, vota para dar quatro anos de plenos poderes extraordinários a Hitler, poderes esses que se transformaram na base legal da futura ditadura. O Zentrum é obrigado a dissolver-se em Julho.

Os socialistas, por seu lado, tentaram escapar ao destino do KPD, proscrito no dia 28 de Fevereiro (após o incêndio do Reichstag). No dia 30 de Março de 1933, abandonaram a Segunda Internacional para demonstrar o seu carácter nacional alemão. No dia 17 de Maio, o seu grupo parlamentar vota a favor da política externa de Hitler. No entanto, no dia 22 de Junho, o SPD é dissolvido como “inimigo do povo e do Estado”.

Quanto aos sindicatos, em 1932, à maneira da CGL italiana que tentou salvar o que pôde insistindo no seu carácter apolítico, os seus líderes proclamaram-se independentes de todos os partidos e indiferentes à forma do Estado. Isso não os impediu de procurar um acordo com Schleicher, chanceler desde Novembro de 1932 e então em busca de base ou demagogia operária. Estando os nazis no governo, esses mesmos líderes sindicais deixam-se persuadir que na condição de reconhecerem o nacional-socialismo, o regime lhes daria um pequeno espaço. Esta estratégia culmina na farsa de membros dos sindicatos marchando sob a suástica no 1º de Maio de 1933, transformado na “Festa do Trabalho Alemão”. Em vão: nos dias que se seguem, os nazis liquidam os sindicatos e prendem os militantes…

Formada a enquadrar as massas e a negociar em seu nome, e mesmo, a reprimi-las, a burocracia operária apenas tinha o conhecimento de uma situação profundamente alterada. Multiplicar os seus sinais de fidelidade ao regime não lhe serviu de nada. Não se lhe reprovava a sua afronta à pátria mas ao cofre-forte das classes possuidoras. Não era o seu internacionalismo verbal herdado do período anterior a 1914 que incomodava a burguesia, mas a existência dum sindicalismo submisso mas ainda independente, numa era na qual o capital já não tolerava qualquer outra comunidade que não a sua, e na qual mesmo uma instituição de colaboração de classes estava a mais se o Estado não a controlava completamente.
(a seguir Barcelona, 1936)

partes anteriores:
I II III IV V VI

08/04/2009

Quando as insurreições morrem VI

Berlim, 1919-1933 (continuação)

por Gilles Dauvé

Pela negociação ou pela força, a democracia moderna representa e concilia os interesses antagónicos… tanto quanto possível. As intermináveis crises parlamentares e os complôs verdadeiros ou imaginários (de que era palco a Alemanha depois da queda do último chanceler socialista em 1930) são numa democracia o sinal invariável de uma desunião durável nos círculos dirigentes. No início dos anos 30, face à crise, a burguesia debatia-se com estratégias sociais e geopolíticas irreconciliáveis: integração acrescida ou eliminação do movimento operário; comércio internacional “pacífico” ou uma autarcia estabelecendo os alicerces para uma expansão militar. A solução não passava necessariamente por um Hitler, mas pressupunha em todo o caso uma concentração de força e violência nas mãos do poder central. Tendo-se esgotado o compromisso centrista-reformista, a única opção em aberto era estatista, proteccionista e repressiva.

Tal programa comportava o afastamento violento duma social-democracia que pela domesticação dos operários tinha conseguido alcançar uma posição excessiva, sem no entanto ser capaz de unificar toda a Alemanha atrás de si. Esta unificação foi a tarefa do nazismo, que soube apelar a todas as classes, dos desempregados aos capitães de indústria, através duma demagogia que superava mesmo a dos políticos burgueses, e dum anti-semitismo que funcionava agrupando por meio da exclusão.

Como poderiam os partidos operários barrar o caminho a tal loucura xenófoba e racista, depois de tão frequentemente terem servido de companheiros de viagem ao nacionalismo? Para o SPD, isso era claro desde o início do século, óbvio em 1914, e assinado com sangue no pacto de 1919 com os Freikorps, saídos dum molde guerreiro muito parecido ao dos fasci. Quanto ao racismo, não era incomum que um jornalista do SPD, um dirigente sindical ou mesmo a prestigiada revista teórica Die Neue Zeit, atacassem os judeus “estrangeiros” (polacos e russos). Em Março de 1920, a polícia berlinense, então sob controle socialista, captura um milhar de pessoas num bairro judeu e encerra-as num campo, antes de finalmente as libertar. Como poderia a social-democracia alemã escapar às fobias e obsessões do Volk (povo, numa acepção racial ndt) ao qual ela se obrigava a pertencer?

(continua)

03/04/2009

Quando as insurreições morrem IV

por Gilles Dauvé

VOLKSGEMEINSCHAFT versus GEMEINWESEN

A contra-revolução inevitavelmente triunfa no terreno da revolução. Através da sua “comunidade do povo”, o nacional-socialismo pretenderá eliminar o parlamentarismo e a democracia burguesa contra os quais o proletariado se tinha insurgido depois de 1917. Mas a revolução conservadora retomará também velhas tendências anticapitalistas (regresso à natureza, a fuga às cidades…) que os partidos operários, mesmo os extremistas, tinham negado ou estimado mal a sua importância pela sua incapacidade de integrar a dimensão aclassista e comunitária do proletariado, pela sua incapacidade para criticar a economia, e pela sua incapacidade para pensar no mundo do futuro como algo mais que uma mera extensão da grande indústria. Na primeira metade do século dezanove, estes temas estavam no centro das preocupações do movimento socialista, antes de ser abandonados pelo “marxismo” em nome do progresso e da Ciência, não sobrevivendo senão no anarquismo ou nas seitas (5).

Volksgemeinschaft versus Gemeinwesen, comunidade do povo ou comunidade humana… 1933 não foi a derrota mas a consumação da derrota. O nazismo surgiu e triunfou para estancar, resolver e fechar uma crise social tão profunda que ainda não apreciamos totalmente a sua magnitude. A Alemanha, o berço da social-democracia maior do mundo, também deu lugar ao movimento mais fortemente radical, antiparlamentar, e antisindicalista, que aspirava a um “mundo operário” mas que também era capaz de atrair muitas outras contestações antiburguesas e anticapitalistas. A presença de artistas de vanguarda nas fileiras da “esquerda radical alemã” não é acidental. Assinala que o capital está a ser a posto em causa enquanto “civilização” no sentido em que Fourier o fazia. Perda da comunidade, individualismo e gregarismo, miséria sexual, família desarticulada mas valorizada como refúgio, o afastamento da natureza, a comida industrializada, a artificialidade crescente, a “proteízação” do homem (***), o correr atrás do tempo, a morte da arte, relações sociais cada vez mais mediadas pelo dinheiro e pela técnica: todas estas alienações passam então pelo fogo duma crítica confusa e multiforme. Só um olhar retrospectivo superficial pode prever nessa crítica a sua recuperação inevitável.

A contra-revolução só triunfou nos anos 20, na Alemanha e nos Estados Unidos, inaugurando o despontar duma sociedade de consumo e fordista, arrastando milhões de alemães, inclusive os operários, para uma modernidade industrial e mercantil. Foram dez anos de reinado frágil, como o demonstra a louca hiperinflação de 1923. Em 1929 seguiu-se-lhe um enorme terramoto, no qual não foi a prática proletária mas a própria prática capitalista a que rejeitou a sua ideologia dum progresso oferecendo a todos um consumo crescente de objectos e signos.

O extremismo nazi, e a violência que desencadeou, foram adequados à profundidade do movimento revolucionário que ele retoma e nega, e a estas duas rebeliões, separadas por 10 anos, contra a modernidade capitalista, primeiro pelos proletários e depois pelo capital. Como os radicais de 1919-1921, o nazismo propõe uma comunidade de operários assalariados, mas uma que era autoritária, fechada, nacional e racial, e consegue, durante 12 anos, transformar os proletários em assalariados e soldados.

O fascismo é produto dum capitalismo que arruína as relações anteriores sem conseguir substituí-las por aquelas que acompanham a comunidade mercantil. Hitler pode muito bem ter-se inspirado em épocas passadas mas não deixa de nascer das contradições do mundo moderno.

*** De Proteu, figura da mitologia grega que possuía a faculdade de se metamorfosear. A transformação do homem, em resultado da perda de sistemas de referência mais ou menos sólidos, num ser instável, que muda com ligeireza as suas fidelidades, afectos e maneiras de pensar. Nota do tradutor.

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