18/10/2011

Respondendo à chamada internacional de 15 de outubro, cerca de 200 mil pessoas reuniram-se em Roma para uma jornada de luta que contaria com praticamente todos os movimentos antagonistas de Itália. Trabalhadores precários, ativistas de centros sociais, anti-autoritários, membros do movimento NO TAV, autónomos, sindicatos de base, cidadanistas, “desobedientes”, estudantes tomaram as ruas, embora com objetivos muito diferentes.
Desde o início da marcha cerca de 1.000 pessoas, incluindo um bloco que se deslocava atrás da bandeira «Non chiediamo il futuro, ci prendiamo il presente» («Não estamos a pedir o futuro, tomamos o presente”), voltaram-se contra os responsáveis diretos pela nossa miséria: um supermercado de luxo foi devastado, os seus produtos distribuídos entre os revoltosos, queimaram-se carros de luxo, quebraram-se montras de bancos e apeou-se e rasgou-se uma bandeira nacional de um palácio.

Quando a manifestação se aproximou do Coliseu, houve tensões entre pacifistas e centenas de jovens usando capuzes e capacetes. Os escritórios da empresa de trabalho temporário Manpower (presente em Portugal e Brasil também), foram completamente destruídos, depois de terem sido arrombados e de se lhes terem deitado fogo. Uma equipa de televisão também foi atacada e expulsa do desfile.
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02/10/2011
O que é o anti-capitalismo?
“Anti-capitalismo” tornou-se um slogan popular. Parece que mais e mais pessoas estão interessadas em críticas do capitalismo. A menos que os anti-capitalistas dediquem algum tempo a estudar o que exactamente é o capitalismo e como ele funciona, arriscam-se a não advogar uma alternativa viável. Quando as pessoas idolatram o “activismo” a expensas da “teoria” arriscam-se a não compreender o problema e a sua progressão lógica nas esferas política, ideológica e económica, que são postas de lado porque não encaixam nos conceitos de activismo político de muitos anti-capitalistas. Eles não são sequer anti-capitalismo no sentido em que ainda nem sequer adoptaram uma definição consensual de capitalismo. Mais distante ainda está qualquer discussão sobre o “pós-capitalismo”. Os anti-capitalistas não têm uma ideia clara do que querem alcançar excepto que querem algo diferente do que temos actualmente. Se te auto-proclamas “anti-capitalista”, será uma boa ideia ter alguma noção do que é o capitalismo. Muitos são menos anti-capitalistas que anti-globalização, anti-neoliberais ou até mesmo apenas oponentes de determinadas corporações particularmente nefastas. Esses defendem que os efeitos nocivos do sistema capitalista podem ser eliminados domesticando as grandes corporações ou tornando-as mais “éticas”, “responsáveis” e com “preocupações sociais”. Poderia pensar-se que o principal objectivo do movimento anti-capitalista seria acabar com o capitalismo e estabelecer o socialismo. Infelizmente não. O objectivo parece ser pressionar os governos actuais a introduzir reformas e mudar as suas políticas de modo a domar as corporações multi-nacionais e/ou restabelecer o intervencionismo estatal. Muitos estão prontos para se auto-intitularem “anti-capitalistas” mas apenas uns poucos estão preparados para argumentar em favor de uma sociedade mundial de propriedade comum e controlo democrático com a produção orientada para suprir as necessidades humanas sem passar pelo dinheiro e pelo mercado. A maioria é literalmente o que afirma ser – anti-capitalista, ou seja, opõem-se à conduta das corporações capitalistas e dos governos que as protegem e promovem os seus interesses, em vez de serem contra o capitalismo como um sistema total/global. Estão empenhados numa luta árdua e interminável para tentar conter e limitar as corporações capitalistas e os governos na sua perseguição de lucros sem se preocuparem com as consequências. Alguns tiraram proveito do seu papel institucionalizado dentro do capitalismo alertando os seus zeladores para os perigos a longo prazo de permitir que as políticas sejam ditadas por fitos de lucro a curto prazo.
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